Peregrinação telefônica

By Wando Soares

Me inscrevi num concurso de redação promovido pelo CIEE em parceria com a Academia Brasileira de Letras. Dia desses de manhã, liguei para a academia para saber uma coisa muito simples: quando sai o resultado?
 
Aí é que começou o martírio. Liguei uma, duas, três, quatro vezes e nada. A pessoa que me atendia me passavam para outra, que, por sua vez, me passava para outra e assim ia. Depois que passei a anotar, registrei os nomes das seguintes pessoas: Luis, Maria Lúcia, Renata e Mila. Essas quatro pessoas, que trabalham na Academia Brasileira de Letras, não sabiam informar o que eu queria saber: quando iam ser divulgados os nomes dos vencedores do concurso. No fim, depois de muitas tentativas e de me queixar para Renata, ela me prometeu um retorno. Pegou meu telefone celular e prometeu me ligar para responder minha pergunta.

Nada contra eles não saberem. Normal não ter uma informação. Mas receber a ligação e passar para outra pessoa, que passa para outra pessoa, também não dá. Isso é incompetência no atendimento ao público. Se não sabe, por favor, diga que não sabe, pegue meu número, busque a informação e, de posse dela, me liga e me diz. É simples.

A única pessoa que tomou essa atitude foi a Renata, depois da segunda ligação que eu fiz para ela. Ela tomou meu telefone e prometeu dar retorno depois que eu disse que já havia falado com uma porção de pessoas e ninguém havia resolvido meu problema. Minutos depois, ela me ligou, mas meu celular estava sem bateria e apagou. Em seguida, pluguei o telefone na tomada, anotei o número e liguei. Foi o tempo suficiente para eu ouvir do outro lado da linha a seguinte resposta: “A Renata já saiu”.

SECRETÁRIA ELETRÔNICA – No meio dessa peregrinação pela resposta, uma das pessoas da ABL me deu o número do CIEE para eu consultar, uma vez que o Centro dá apoio ao concurso. Pois bem, liguei para o CIEE de Alphavile (SP), onde me atendeu uma menina. Eu disse, enfático:

- Esse concurso, que está sendo anunciado num banner gigante na página do CIEE, que é promovido em parceria com a ABL, que vocês, CIEE, estão envolvidos, sabe? Eu só queria saber quando sai o resultado, porque eu estou concorrendo.

 - Ah… eu nem tava sabendo de concurso. Liga para esse número… 

Soltando fogo pelas ventas, liguei para o tal número e nada de alguém me atender. Ou melhor, alguém me atendeu. Um robô. Uma mensagem de voz meu deu opções para eu digitar. Nenhuma delas se enquadrava naquilo que eu precisava: apenas uma informação.

- Se você é cadastrado no CIEE, digite 1, se você é blá blá blá digite 2…

Isso é a pior coisa que já inventaram. Eu não quero digitar nada, eu quero falar com uma pessoa e pedir informação, só. As empresas precisam reduzir custos para serem competitivas, tudo bem, todo mundo sabe. Agora, pão-durismo não dá para agüentar. O custo de um trabalhador simpático para atender e direcionar as ligações é ínfimo se comparado ao benefício que isso vai trazer para a imagem instituição, já que ele vai ser o cartão de visita da empresa.

Isso aconteceu há uns dias. Não havia colocado no ar porque temia represálias, já que meu texto, aquele do concurso, está sob análise deles. Resolvi colocar no ar depois que, ontem, novamente, ficaram me devendo a informação.

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Uma resposta para “Peregrinação telefônica”

  1. Esechias Araújo Lima Disse:

    Parabéns, Wando, isso de que você reclama é uma constante. Você já precisou de uma informação de qualquer uma das oparadoras de telefonia móvel? Aí, sim, que é um martírio.
    Quanto ao modo como você foi tratado pelo tal CIEE e pela Academia é um desrespeito, para não dizer um atraso. Pessoas responsáveis pela informações sem nenhum preparo nem qualquer informação sobre aquilo que está pretensamente apto para informar. Outro dia, passei por algo semelhante quanto a um concurso de redação de uma universidade aqui da Bahia. A moça que me atendeu – de quem se esperava estar apta para responder todos os questionamentos – sabia menos que eu.
    O negócio é botar a boca no trombone e falar até que eles qualifiquem bem seus funcionários (ou estagiários, vá la saber).

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