Posts de Junho, 2007

Salário dos deputados

Junho 27, 2007

“Estamos dando demonstrações de que estamos dispostos a participar do enxugamento de gastos do governo”. A afirmação é do presidente da Assembléia Legislativa do RS, deputado Frederico Antunes (PP). Nota-se que há um esforço dos parlamentares em reduzir o deficit estadual – desde que isso não interfira no bolso deles.

Ontem, os deputados se concederam um aumento absurdo de 21,22%, por unanimidade. Dos R$ 9.540, o salário pulou para R$ 11.564. Depois querem que dê certo medidas como Pacto pelo Rio Grande, tocado a base do “façam o que eu digo; não façam o que eu faço”.

A dúvida que fica é por que esses 55 privilegiados senhores recebem esse percentual de reajuste, enquanto a população, no geral, fica com aumento por volta dos 3%, 4%, 5% e ainda tem que dar graças a Deus porque está acima da inflação?

Pela manhã, na Rádio Gaúcha, peguei pela metade uma declaração de um deputado justificando o aumento. Pena que não peguei o nome do infeliz. Ele dizia, em outras palavras, que está no parlamento gaúcho pelo voto dos eleitores e sugeria a quem acha o salário dos deputados muito alto, que se candidate e se eleja. É mole ou quer mais?

Dizem que o aumento cabe no Orçamento da Assembléia Legislativa para esse ano, como se a Assembléia fosse auto-sustentável, como se o Orçamento da casa viesse de alguma atividade econômica. O Orçamento da Assembléia é composto pelo dinheiro do povo, portanto, não interessa se “o reajuste cabe no Orçamento”. Tem que ver se o aumento cabe na vida dos gaúchos. E pelo que se vê nas escolas, nos hospitais, nas delegacias, nos presídios, nas ruas tenho certeza que não cabe.

Ética da Malandragem

Junho 26, 2007

Por falar em livro, vou recomendar outro, este lido há mais tempo: A Ética da Malandragem – No Submundo do Congresso Nacional (Geração Editorial), do meu amigo Lucio Vaz, repórter do Correio Braziliense.

Lembrei dele porque fiquei sabendo hoje que ele foi um dos vencedores do Prêmio de Melhor Investigação Jornalística de um Caso de Corrupção 2006, promovido pela Transparência Internacional para a América Latina e o Caribe (TILAC) e pelo Instituto Imprensa e Sociedade (IPYS, na sigla em espanhol). O prêmio foi em razão de um grande furo de reportagem. Ele revelou a existência de um esquema em que uma quadrilha vendia ambulâncias superfaturadas para prefeituras, que conseguiam emendas ao Orçamento da União por meio de parlamentares corruptos. É o famoso caso das Sanguessugas.

Pois bem, A Ética da Malandragem é o relato de falcatruas incríveis protagonizadas por parlamentares e outros ocupantes de cargos públicos e flagradas por Lucio Vaz nos mais de 20 anos de cobertura do Congresso Nacional, trabalhando nas sucursais de Brasília da Folha de São Paulo, Estado de Minas e Correio Braziliense. Ele descobriu de tudo, desde um telepó dentro do Congresso até um parlamentar que usava verba de gabinete para contratar jogadores de futebol da equipe da cidade que é seu reduto eleitoral.

No livro, ele conta como chegava a essas descobertas. Por vezes, as investigações duravam meses. Algumas eram bem trabalhosas, como aquelas em que ele cruzava dados que no final revelavam que as empresas doadoras de campanha eram as mesmas que eram beneficiadas com obras públicas. Houve também aquelas investigações que mostraram o nepotismo e o nepotismo cruzado entre os congressistas. Certa vez, um parlamentar, ao justificar ter dado emprego para a mãe e para a mulher no gabinete, saiu-se com algo mais ou menos assim: “Eu confio nelas, uma me pariu e a outra dorme comigo todos os dias”.

Vale a pena ler. Tem coisas relatadas no livro que foram estardalhaços na imprensa, mas que a memória curta do brasileiro – a minha, inclusive – se encarregou de tentar apagar da história. Sorte que há documentos como esse para ajudam a refrescar a memória. 

Milagre nos Andes

Junho 26, 2007

Dia desses li um livro o qual gostaria de recomendar para vocês. Ele é, senão o melhor, um dos melhores livros que eu já li. É Milagre nos Andes (ed. Objetiva), de Nando Parrado, um dos sobreviventes do acidente aéreo envolvendo uma equipe uruguaia de Rúgbi, em 1972, na Cordilheira dos Andes. Já havia assistido ao filme Vivos, dos anos 90, que conta essa história, e não preciso nem dizer que o livro é infinitamente melhor. Ele traz muito mais detalhes e a versão mais fidedigna do que aconteceu, pois foi escrito pelo próprio sobrevivente, com o apoio de escritor Vince Rause.

 Para quem não sabe da história, é o seguinte: em 1972, uma equipe de jovens uruguaios, jogadores de Rúgbi, alguns na companhia de amigos e familiares, embarca de Montevidéu num avião fretado – um Fairchild F–227 da Força Aérea Uruguaia – rumo a Santiago, no Chile. O objetivo era participar de um jogo amistoso e passear. Mas no momento em que estavam sobrevoando a Cordilheira dos Andes, o avião não resiste às más condições climáticas e despenca numa geleira, matando 13 pessoas. Esse foi o começo da mais espetacular prova de resistência humana que se tem notícia na história. 

 Após a queda, outros 16 passageiros foram morrendo um a um, vítimas dos ferimentos, da fome, das temperaturas glaciais e até de uma avalanche. No fim, depois de 72 dias presos naquele lugar inóspito, comendo a carne dos corpos dos mortos para se alimentarem, os 16 sobreviventes são resgatados, não sem antes dois deles – Nando Parrado e Roberto Canessa – realizarem uma viagem épica em busca de ajuda. Por dias, os dois caminharam em busca de socorro, enfrentando, nas montanhas, temperaturas desumanas, ventos violentos, altitudes sufocantes, o cansaço, os ferimentos e tudo mais que uma estada de mais de dois meses na Cordilheira dos Andes pode provocar. Exaustos, os dois acabam por encontrar uma propriedade onde pedem ajuda, para eles próprios e para os demais que ficaram na fuselagem a quilômetros dali. Isso tudo é informação bem conhecida; o final todos já conhecem. Saber disso tudo não compromete as surpresas que vocês terão lendo o livro.

SENSAÇÕES – O relato é extraordinário, pois desperta sensações que eu só havia tido em filmes. É de embrulhar o estomago ler que um dos sobreviventes arrancou uma barra de ferro da barriga de outro e junto com ela tirou também vísceras, e mesmo assim o sujeito não morreu. É de perder a fome o autor relatando os momentos em que os sobreviventes comiam carne humana, no limiar entre a civilização e a selvageria. É angustiante ler que os sobreviventes ouviram num rádio que as buscas haviam sido canceladas, enquanto ainda estavam naquele lugar que não oferece as mínimas condições de vida, refugiados em uma fuselagem toda arrebentada e rodeados de cadáveres e montanhas enormes. É muito triste o autor contando como foram os últimos momentos de vida da irmã, que se ferira na queda, mas não resistira àquele suplício. E também é uma lição de vida, dessas nem um pouco caretas, a descrição do autor sobre o que lhe passava pela cabeça naquele lugar e depois de sair dele.

Em outras obras ficaria irritado pela quantidade de referências a Deus, mas visto que, na época, Nando era um jovem estudante de colégio religioso à beira da morte, isso é perfeitamente aceitável. A provação e os horrores a que foram submetidos aqueles meninos impede qualquer um de pensar o contrário.

Atualmente, alguns dos sobreviventes dão conferências voltadas a empresários, empreendedores e desportistas. O grupo também se reúne, anualmente, no dia 22 de dezembro para celebrar o aniversário, pois nesta data, em 1972, todos nasceram de novo. Mais informações vocês conseguem no site do grupo, que também é bem legal.   

Grêmio 2 X 0 Inter

Junho 26, 2007

Ao amigo que comentou o post anterior, não tenho nada a dizer, só que não há nada como um dia após o outro. E a Dercy não é imortal, ela está fazendo hora extra no mundo.

Grêmio X Boca: não deu

Junho 14, 2007

Passou longe o meu chute para o jogo de ontem. Na verdade não foi um chute, era o placar que eu estava torcendo para dar. Não deu. Nem a torcida do Retrô, que superlotou o bar, vingou. Antes mesmo de começar a partida, com a explosão da torcida xeneize na entrada do time, a galera tricolor já parecia apreensiva. Uns puxavam a cantoria e outros continuavam, timidamente, por apenas alguns segundo.

Em campo, era um Grêmio apavorado. Muitos dizem que o  time jogou um bolão. Jogou nada. Durante alguns minutos, antes do primeiro gol do Boca, o Grêmio deus uns balões e ciscou na área adversária. No primeiro tempo, anulou bem o time do Boca, indo para o vestiário com um magro e natural 1 a 0. Mas foi só. O Grêmio tomou o vareio de ontem por uma série de problemas, que, espero, não voltarão a se repetir na quarta-feira, no Olímpico. 

- Tomou um gol – ilegal, diga-se de passagem – no início do jogo. Isso inflamou a torcida adversária e deixou os jogadores ainda mais nervosos.

- A torcida do Boca, que fez da Bombonera um caldeirão. Na minha opinião, é a torcida mais doida e apaixonada do mundo.

- Tem um centroavante de posicionamento, mas não jogou “para” ele, coisa que, aliás, geralmente não faz. Houve um momento do jogo em que o Tuta ficou 11 minutos sem tocar na bola, segundo a contagem da TV. Algumas bolas chegaram e ele, logicamente, devia ter marcado, cumprindo a tarefa de centroavante. Mas se chovesse mais bolas na cabeça e no pé dele seria melhor, haveria mais probabilidade da bola entrar.

-  Em vez de jogar como brasileiro, jogou como argentino. E isso eles sabem fazer melhor que nós. Faltou a jogada individual, o drible, a triangulação curtinha, a malandragem brasileira. Está certo que o Grêmio carece de jogador com essas habilidades e que os argentinos estavam batendo para valer, mas isso não justifica a falta de tentativa de jogadas mais maliciosas. No mínimo cavaria mais faltas próximo à área. 

-   Teve o volante mais forte e aguerrido expulso, Sandro Goiano. Jogando contra o Boca, perder um volante de combate é quase uma sentença de morte.  

- O fator local intimidou muito os jogadores, que davam balões para onde apontava o nariz. No primeiro tempo, Carlos Eduardo pegou uma bola de primeira, arriscando contra o goleiro Caranta. A bola foi para a torcida. Se tivesse dominado e tentado avançar, quem sabe teria chegado na cara do gol.  Na saída de jogo era pior. Raramente o time saia tocando bola. A saída de jogo era via lançamento para frente.

Relaxar e gozar?

Junho 13, 2007

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, engordou, hoje pela manhã, o anedotário de declarações toscas de políticos brasileiros. Durante o lançamento do Plano Nacional do Turismo, em Brasília, a ministra aconselhou o turista brasileiro a “relaxar e gozar”, quando estiver penando numa fila de aeroporto. Alô, ministra, nunca passei por uma situação dessas, mas asseguro que para quem passa ela é muito mais broxante do que excitante.

Mais tarde, Marta Suplicy se desculpou, por meio de uma nota oficial. “Não tive por intenção desdenhar muito menos minimizar os transtornos que estão sendo enfrentados pelos usuários do transporte aéreo (…)”.

Para quem anda para cima e para baixo de jatinho é fácil falar.

Grêmio X Boca

Junho 13, 2007

Se depender da empolgação da torcida do Retrô (bar próximo ao Campus II da Feevale, em Novo Hamburgo), o Grêmio sai hoje da Bombonera com uma vitória sobre o Boca Juniors na primeira partida da final da Libertadores.

A torcida que acompanhou a trajetória do tricolor se acotovelando a cada jogo no bar merece mais esse momento de felicidade. Embora ensurdecedor, foi lindo de ver as cornetas, os instrumentos de percussão e, principalmente, os gogós da galera empurrando, ainda que a distância, o Grêmio para as vitórias. Igualmente lindo de ver foi o Brother, torcedor símbolo do bar, declarando o seu amor aos jogadores, com a voz invariavelmente rouca de tanto gritar: “Lucaaaaas, eu te aaaaamo!!!!”.

E hoje não vai ser diferente. Aliás, vai ser mais empolgante ainda, pois o dono do bar, o Nei, promete instalar um telão, onde os gols serão ainda mais lindos e contagiantes. Desejando boa sorte para time, arrisco um placar: 2X1 para o Grêmio e um show de bola. O Boca é copeiro como o Grêmio, mas nunca foi e nunca será imortal. Vamo, vamo tricolor!!!   

Palhaçada Popular

Junho 12, 2007

O governo gaúcho quer suspender por dois anos a Consulta Popular, aquele processo em que os próprios eleitores escolhem as prioridades de investimento no ano seguinte. Nada mais coerente, já que o povo escolhia as prioridades e elas nunca saiam do papel sob a justificativa de que falta dinheiro nos cofres do governo. O Piratini está devendo R$ 180 milhões em obras de anos anteriores. Suspensa a Consulta Popular, o governo vai gastar menos em publicidade e nós, os otários, não vamos precisar votar numa obra que nunca vai ser realizada.