Por falar em livro, vou recomendar outro, este lido há mais tempo: A Ética da Malandragem – No Submundo do Congresso Nacional (Geração Editorial), do meu amigo Lucio Vaz, repórter do Correio Braziliense.
Lembrei dele porque fiquei sabendo hoje que ele foi um dos vencedores do Prêmio de Melhor Investigação Jornalística de um Caso de Corrupção 2006, promovido pela Transparência Internacional para a América Latina e o Caribe (TILAC) e pelo Instituto Imprensa e Sociedade (IPYS, na sigla em espanhol). O prêmio foi em razão de um grande furo de reportagem. Ele revelou a existência de um esquema em que uma quadrilha vendia ambulâncias superfaturadas para prefeituras, que conseguiam emendas ao Orçamento da União por meio de parlamentares corruptos. É o famoso caso das Sanguessugas.
Pois bem, A Ética da Malandragem é o relato de falcatruas incríveis protagonizadas por parlamentares e outros ocupantes de cargos públicos e flagradas por Lucio Vaz nos mais de 20 anos de cobertura do Congresso Nacional, trabalhando nas sucursais de Brasília da Folha de São Paulo, Estado de Minas e Correio Braziliense. Ele descobriu de tudo, desde um telepó dentro do Congresso até um parlamentar que usava verba de gabinete para contratar jogadores de futebol da equipe da cidade que é seu reduto eleitoral.
No livro, ele conta como chegava a essas descobertas. Por vezes, as investigações duravam meses. Algumas eram bem trabalhosas, como aquelas em que ele cruzava dados que no final revelavam que as empresas doadoras de campanha eram as mesmas que eram beneficiadas com obras públicas. Houve também aquelas investigações que mostraram o nepotismo e o nepotismo cruzado entre os congressistas. Certa vez, um parlamentar, ao justificar ter dado emprego para a mãe e para a mulher no gabinete, saiu-se com algo mais ou menos assim: “Eu confio nelas, uma me pariu e a outra dorme comigo todos os dias”.
Vale a pena ler. Tem coisas relatadas no livro que foram estardalhaços na imprensa, mas que a memória curta do brasileiro – a minha, inclusive – se encarregou de tentar apagar da história. Sorte que há documentos como esse para ajudam a refrescar a memória.