O presidente Lula sancionou ontem o projeto de lei absurdo que proíbe os motoristas de dirigirem com qualquer quantidade de álcool no sangue.
Embora a intenção seja das melhores, a lei dificilmente funcionará, já que nela não há referência alguma ao aumento de fiscalização. A lei que estava em vigor até o momento - que já era adequadamente rígida ao estabelecer como limite 0,6 grama de ácool por litro de sangue (cerca de dois copos de cerveja) – era pouquíssimo respeitada. Ou vão me dizer que todas essas pessoas que enchem os bares das grandes cidades e tomam mais de dois copos pegam um taxi para casa? E com base na minha experiência de boêmio posso afirmar que dificilmente nas rodas há alguém que não beba.
Uma levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPTU) realizado no ano passado revela: desde 1988, quando foi promulgada a Constituição Federal, foram editadas mais de 3,6 milhões de normas no país. Será que todas elas foram ou são respeitadas? Obviamente que não, porque não há fiscalização que suporte tudo isso. A saída não é mais uma lei, mas sim apertar o cerco aos motoristas infratores.
Se quiser cumprir a nova legislação, um cidadão que vai de carro a um restaurante não poderá, por exemplo, beber nenhuma taça de vinho acompanhando a refeição. E também, por mais abusurdo que pareça, ele terá que pegar leve no tempero da salada, já que o vinagre é composto de álcool e, segundo a lei, o permitido é ZERO.
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