Posts de Julho, 2008

Estado-paralelo na campanha eleitoral

Julho 29, 2008

Faz tempo que a polícia brasileira perdeu o monopólio da violência, a ponto de a expressão “Estado-paralelo” virar um dos maiores clichês quando o assunto é (in) segurança pública.

Mas nada no Brasil é tão ruim que não possa piorar. Agora, traficantes e milicianos cariocas estão impedindo candidatos de subirem aos morros e fazerem campanha, bem como jornalistas de fazerem a cobertura.

Está certo que muitos desses candidatos até merecem uns pipocos, tamanha a cara de pau que exibem ao fazer promessas. Ainda assim, pressões desse tipo são ou deveriam ser inadmissíveis num país que se orgulha da sua recente democracia e suas “instituições fortes”.

Denúncias desse tipo no Rio de Janeiro motivaram o ministro da Justiça, Tarso Genro, a oferecer ao Estado o apoio da Polícia Federal e da Força de Segurança Nacional para combater essas práticas.

A oferta foi bem recebida pelo governador Sérgio Cabral, mas surpreendentemente rejeitada pelo desembargador Roberto Wider, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio, instituição que deveria zelar pela legalidade na campanha eleitoral. O argumento é de que é preciso recolher mais dados sobre a ocorrência, dando a entender que as denúncias poderiam ser manobra da oposição.

O desembargador teme a politização da violência nas eleições, como se a violência não fosse um tema para as eleições. Ao que parece, será preciso algum candidato tomar um tiro na cabeça para as autoridades tomarem uma atitude.

O remédio para a inflação

Julho 23, 2008

Mais um reunião do Comitê de Política Monetário (Copom) em curso e as apostas estão na mesa. Uns dizem que o aumento da Taxa Básica de Juros (Selic) será de 0,5%, outros apostam em 0,75%. Seja qual for o percentual, a medida ajudará muito pouco no combate à inflação. Todo mundo está cansado de saber que o aumento dos preços é um movimento global e não um efeito do aumento da demanda interna brasileira. O que traria algum resultado para a redução dos preços no longo prazo seria facilitar o crédito para a indústria, principalmente agrícola, para que produza mais e aumente a oferta. E isso, definitivamente, não se faz aumentando juros. Precisamos encontrar de uma vez por todas outro remédio para a inflação, sem tantos efeitos colaterais.

O adeus a Roger

Julho 5, 2008

O meia Roger dá adeus ao Grêmio e vai jogar no Catar F.C. A notícia pegou todos os gremistas de surpresa nesta sexta-feira e deixou o presidente Paulo Odone furioso. Pois eu acho que estão fazendo uma tempestade num copo d`água.

As declarações de Roger há algum tempo dando conta de que teria vontade de terminar a carreira no Grêmio foram encaradas muito a sério. Todo profissional diz que quer crescer numa empresa e quer fazer carreira nela – desde que não receba uma proposta irrecusável de emprego na concorrente.

No caso do meia gremista, essa oferta foi de 5 milhões de dólares por um contrato de dois anos. Quem recusaria? Além disso, Roger nem é isso tudo que falam, é um jogador regular. Cai muito em campo e é fácil de anulá-lo, bastando o time adversário realizar uma marcação mais apertada em cima dele.

Não acho que o desempenho de Roger seja lá essas coisas. Dos 22 jogos em que atuou, fez 10 gols. A média até seria boa para um meia- articulador, não fosse o fato de que desses, sete foram marcados de pênalti, fácil, fácil.   

É claro que não é bom perder o jogador agora, em meio à boa fase que o Grêmio passa no Brasileirão, porque mexe com o grupo, que está se acertando. Mas o desfalque não pode ser encarado como o fim do mundo, mas sim fruto da nova lógica do futebol brasileiro. Os clubes formam (ou recuperam) os profissionais, e os times estrangeiros vêm e buscam os craques com propostas tentadoras, dificílimas de cobrir.

Foto: Site do Grêmio

Fim decepcionante para a CPI

Julho 5, 2008

A CPI do Detran gaúcho, que investiga o desvio de R$ 44 milhões da autarquia, chega ao fim como as demais: com resultados pífios. No relatório lido ontem na Assembléia Legislativa do Estado, apenas uma novidade sem importância além do que já foi denunciado pelo Ministério Público à Justiça Federal de Santa Maria.

Sempre que uma CPI acaba com resultados decepcionantes, algumas vozes da imprensa saem em defesa desse controverso mecanismo de investigação. Dizem que, pelo menos, serviu para dar visibilidade às falcatruas de políticos e pessoas ligadas a eles.

É uma pena que para “dar visibilidade” a essas coisas, a imprensa precise ter como pano de fundo o espetáculo de plenário, onde a conveniência política fala muito mais alto que os critérios técnicos de investigação. As brigas e negociações entre oposição e governo em torno do relatório final é uma prova de que a apuração dos fatos é totalmente contaminada pelo ambiente político. O Ministério Público e a Polícia Federal podem dar respostas muito mais precisas aos cidadãos do que os deputados com os seus relatórios “politicamente viáveis”.

É por isso que volto a defender a extinção das CPI`s. Além de ser um desperdício de dinheiro – os deputados que trabalham nelas recebem salários e verbas de gabinete graúdas –, as comissões atrasam o desenvolvimento do estado e do país, porque colocam de lado o debate em torno de projetos importantes para o povo. Que se dê visibilidade às denuncias graves contra pessoas públicas. Não no palanque eleitoral da CPI, e sim na instância mais adequada: a justiça.