“Estamos dando demonstrações de que estamos dispostos a participar do enxugamento de gastos do governo”. A afirmação é do presidente da Assembléia Legislativa do RS, deputado Frederico Antunes (PP). Nota-se que há um esforço dos parlamentares em reduzir o deficit estadual – desde que isso não interfira no bolso deles.
Ontem, os deputados se concederam um aumento absurdo de 21,22%, por unanimidade. Dos R$ 9.540, o salário pulou para R$ 11.564. Depois querem que dê certo medidas como Pacto pelo Rio Grande, tocado a base do “façam o que eu digo; não façam o que eu faço”.
A dúvida que fica é por que esses 55 privilegiados senhores recebem esse percentual de reajuste, enquanto a população, no geral, fica com aumento por volta dos 3%, 4%, 5% e ainda tem que dar graças a Deus porque está acima da inflação?
Pela manhã, na Rádio Gaúcha, peguei pela metade uma declaração de um deputado justificando o aumento. Pena que não peguei o nome do infeliz. Ele dizia, em outras palavras, que está no parlamento gaúcho pelo voto dos eleitores e sugeria a quem acha o salário dos deputados muito alto, que se candidate e se eleja. É mole ou quer mais?
Dizem que o aumento cabe no Orçamento da Assembléia Legislativa para esse ano, como se a Assembléia fosse auto-sustentável, como se o Orçamento da casa viesse de alguma atividade econômica. O Orçamento da Assembléia é composto pelo dinheiro do povo, portanto, não interessa se “o reajuste cabe no Orçamento”. Tem que ver se o aumento cabe na vida dos gaúchos. E pelo que se vê nas escolas, nos hospitais, nas delegacias, nos presídios, nas ruas tenho certeza que não cabe.