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Turbulências no governo Yeda

Maio 2, 2007

É incrível a quantidade de problemas que a governadora Yeda Crusius vem enfrentando desde que se lançou na tarefa de governar o estado do Rio Grande do Sul.

SAÍDA DO MARQUETEIRO

O primeiro ocorreu ainda na campanha. A então candidata, que prometia reequilibrar as contas do Estado, falhou na tarefa de equilibrar as contas de campanha. Motivado pela falta de pagamento, o marqueteiro Chico Santa Rita pulou fora do barco no meio da campanha. Pegou muito mal.

VICE-GOVERNADOR x BANRISUL

Depois veio o vice-governador, Paulo Afonso Feijo. Em meio às negociações do PSDB de Yeda com o PMDB para um apoio no segundo turno,  Feijó quase detonou, em entrevista à Zero Hora, a relação dos dois partidos. Disse que Fernando Lemos, presidente do Banrisul, era apadrinhado político do senador Pedro Simon (PMDB), por isso estava no cargo. O PSDB acabou recebendo o apoio do PMDB só porque caciques peemedebistas jogaram panos quentes na questão, inclusive o próprio Simon. Em outras palavras, Simon disse que o “guri (Feijó) ainda não estava acostumado com política”. 

PRIVATIZAÇÃO

Yeda Crusius também teve que suar a camiseta para tirar da cabeça do eleitor a idéia de que ela no governo era igual a privatização do Banrisul, como sugeria a oposição. Enquanto Yeda falava que não iria privatizar, o vice defendia o contrário, dando munição para a oposição.

A PRIMEIRA DERROTA NA ASSEMBLÉIA

Depois de vencida a eleição, mas ainda antes de assumir, a então governadora eleita passou pela primeira saia justa. Quebrou promessa de campanha enviando à Assembléia Legislativa projeto de prorrogação do tarifaço (aumento de algumas alíquotas de ICMS)  implementado pelo governo Rigotto. O projeto não passou no parlamento gaúcho, que imputou ao Piratini a primeira derrota da nova gestão. E pior: fazendo coro junto à turma que não queria a manutenção do tarifaço, estava ele: o vice-governador eleito, Paulo Afonso Feijó.

CRISE NA SEGURANÇA

Recentemente, a governadora se viu às voltas de mais um problema. As denúncias envolvendo o seu secretário da Segurança , Ênio Bacci, acusado de receber propina de bingueiros e bicheiros para remover delegados empenhados em desbaratar as falcatruas oriundas do jogo ilegal. Mas o pior problema veio com a demissão do secretário, que motivou o PDT, seu partido, a sair da base aliada do governo. Se a situação já estava crítica para o governo na Assembléia, imagina sem os votos dos pedetistas. A Reforma Administrativa do Estado, que fundiu, criou, extinguiu e realocou secretarias e orgãos, só foi aprovada porque era agradável à maioria dos deputados, mesmo para os pedetistas magoados.

VICE-GOVERNADOR x BANRISUL – PARTE 2

Na semana passada, o vice-governador lançou um monte de ataques contra Fernando Lemos, acusando o presidente do Banrisul de promover ilegalidades na gestão do banco. O Piratini, em nota, rebateu dizendo que Paulo Afonso Fejó era “deseqüilibrado” e que as acusações era “levianas”. Quem tem um vice assim não precisa de oposição.

MEIO AMBIENTE

Agora, para não perder o costume, mais um problema pela frente. Só que, espero, não tão grave. A secretária do Meio Ambiente, Vera Calegaro, poderá sair do comando da pasta. Ela está sendo pressionada em razão das ameaça das empresas Votoratin, Stora Enzo e Aracruz Celulose de não investirem no Estado. Elas reclamam do Zoneamento Ambiental, diretriz da Fepam que restringe o plantio de eucaliptos no Estado, sobretudo na metade sul. A governadora ameaça suspender o zoneamento através de decreto para garantir que os investimentos não fujam do Estado.